Queria ter um terreno
baldio que fosse
no centro da cidade de São Paulo
Para deixar ele ser
o que quisesse ser,
qual fosse sua natureza
Floresta
Manguezal
Menos um lixão ou um comércio
Menos um condomínio
de apartamentos parcialmente ocupados
Deixar os anos passarem
Para aquele trecho de terra
ser finalmente o que quisesse

Queria ser de um terreno
em qualquer lugar do sertão
E sendo o que fosse
Qual fosse sua vocação
Cerrado
Pampa
Mata
Coqueiral
Ser assim.
Anos se passariam
Um dia, quem sabe
construiria uma casa
pequena morada
a partir do que ele me dissesse,
do que me propusesse
Lugar
Material
Sem alterar sua essência
Depois de tantos anos
talvez eu pudesse assim
me fixar pertencente,
participante simbiótica
ser o que sou
qual seja essa natureza

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Marta Leite Montagnana

Marta Leite Montagnana

caipira, feminista, produtora cultural mamando nas tetas da Lei Rouanet, artista sem talento formada na balbúrdia, calígrafa e tatuadora nas tantas horas vagas.